ROMANOS 1.18-29
18 “Pois do céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça. 19 Porquanto, o que de Deus se pode conhecer, neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. 20 Pois os Seus atributos invisíveis, o Seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são inescusáveis; 21 porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes nas suas especulações se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. 22 Dizendo-se sábios tornaram-se estultos, 23 e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. 24 Por isso Deus os entregou, nas concupiscências de seus corações, à imundícia, para serem os seus corpos desonrados entre si; 25 pois trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador, que é bendito eternamente. Amém. 26 Pelo que Deus os entregou a paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural no que é contrário à natureza; 27 semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para como os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a devida recompensa do seu erro. 28 E assim como eles rejeitaram o conhecimento de Deus, Deus, por sua vez, os entregou a um sentimento depravado, para fazerem coisas que não convêm” (há variedades de verções dos termos, dependente de qual tradução da Bíblia usamos).
Quando nos confrontamos com coisas que não entendemos completamente é natural que fiquemos desconfiados e temerosos. Quando ouvimos pessoas expressando emoções de maneira completamente contrárias ao que sentimos, e talvez nós possamos fazer uma auto-análise e pensar “eu jamais poderia pensar desta maneira”. É normal que essa atitude provoque uma pausa para pensar, para refletir. É normal que busquemos questionar no mais íntimo de nosso ser “será que poderia pensar dessa mesma maneira?” Quando nosso pastor ou nossa pastora, ou líder espiritual, ou rabino, sobe em um púlpito e denuncia pensamentos, descreve emoções como pecaminosas, demoníacas, depravadas, doentes; quando um homem de Deus faz alusão à Bíblia como prova da pecaminosidade de alguém; bem, a quem recorrer? Como argumentar? A Bíblia diz isto, eu creio nisto e ponto final?
Quando é dito que a Bíblia aprova e autoriza a escravidão, poucos contestaram esta teoria durante séculos. Quando é dito que a mulher deve ser submissa ao homem porque está expresso na Bíblia, somente as mulheres expressaram objeção, mas quem as ouviu? Bem, na verdade em algumas partes do mundo, elas ainda não são ouvidas. Quando foi dito que feiticeiros devem ser executados, muitas mulheres foram mortas, aliás, muitas mulheres eram culpadas apenas pelo crime de serem idosas, ou sábias, ou por não serem simpáticas. Quem liga para isso? Quando foi dito que a Bíblia diz que homossexuais devem ser mortos, eles foram torturados, atados em postes e queimados. Através dos anos esses crimes foram todos impetrados em nome de Deus, como interpretados na Bíblia.
Vivemos no século 21, e a maioria das pessoas já não acredita que a Bíblia justifique a escravidão e promova a subserviência da mulher; e mulheres não são mais executadas por feitiçaria, ao menos nas nações ocidentais. E quanto aos homossexuais? Bem, na verdade homossexuais ainda são perseguidos e executados, assim como minorias raciais que ainda são perseguidas e executadas também. Todos culpados pelo pecado de serem diferentes.
Em púlpitos ao redor do mundo, muitos ministros de Deus, ainda descrevem homossexuais como maus, demoníacos, pecaminosos, depravados, doentes e loucos, e até fazem alusão à Bíblia como prova de “sua” pecaminosidade. Uma das duas passagens bíblicas mais citadas que são usadas como prova de que a Bíblia condena a homossexualidade é:
Romanos 1,26-27:
“Pelo que Deus os entregou à paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural no que é contrário à natureza; semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a devida recompensa do seu erro”.
O que se segue, nos versículos 28 a 32 é uma verdadeira lista de todas as formas de mal e depravação. Esses dois versículos acima, retirados de seu contexto, e seguidos dessa lista dos horrores, certamente causam a impressão de que Deus considera os homossexuais, e a homossexualidade particularmente como maléfica e depravada. É o que acontece quando alguém ignora o contexto da passagem acima descrita.
Se levarmos em consideração o contexto, encontraremos um quadro completamente diferente do que é aquilo que Deus realmente condena. Ao contextualizarmos, vamos perceber que a linha de raciocínio de Paulo inicia-se no versículo 18 e segue até o fim desse capítulo, como mostrado no início deste estudo.
Algumas coisas desagradam a Deus, é verdade, mas Deus está a irar-se com aqueles que:
• omitem a verdade de Deus,
• não honram, não glorificam, nem são gratos e reconhecidos a Deus,
• substituem a verdade de Deus pela mentira, e
• adoram e servem aos ídolos ao invés do Criador.
Em uma palavra: idólatras.
A ira de Deus está direcionada àqueles que praticam idolatria em todas as suas formas. Note que as três primeiras palavras do versículo 27, independentemente de que tradução se use, se refere a algo que acontece anteriormente “Pelo que…”; “por causa…”; “Por isso…”. Os versículos 26 e 27 não são versículos auto-suficientes. Eles explicam quem provoca a ira de Deus, e o que causa o seu comportamento anômalo. Idólatras provocam a ira de Deus, e o seu descontentamento ao adorarem os ídolos.
Onde anteriormente encontramos pessoas que se envolveram em práticas sexuais entre pessoas do mesmo sexo como expressão de adoração ritualística de ídolos? Nas condenações contidas em Levíticos e Deuteronômio. Na condenação expressa em relação à prostituição ritualística que acontecia nos templos destinados aos ídolos.
As três primeiras palavras do versículo 26 nos dizem que nas suas práticas idólatras as pessoas envolviam-se em relações degradantes. As mulheres mudaram suas relações naturais por outras contrárias à sua natureza. Apesar do que literalmente pode-se entender, essa passagem refere-se a mulheres que se envolveram em práticas sexuais com prostitutas do templo, essa passagem pode também ser um referência à pratica de bestialidade, que era também uma prática idólatra comum, naquela época. Assim como mulheres envolveram-se em relações bestiais como um ato de adoração aos ídolos, homens também se envolveram em relações com outros homens, como forma de adoração idólatra.
Gostaria, entretanto de chamar atenção para uma particularidade. O verbo “cometer” foi traduzido a partir da palavra composta: kat-err-gotzumai. Enquanto que Err-gotzumai significa trabalhando, desenvolvendo, implementando, isto é, é um verbo de ação, quando se acrescenta estas três letras, kat, antes, é dada uma ênfase ao caráter da palavra, significando que trata-se de um trabalho difícil de ser executado. O que Paulo nos diz, segundo algumas versões, é que um tremendo esforço foi colocado no sentido de se alcançar o trabalho que nos é expresso por essa palavra. Esses homens tiveram que fazer um grande esforço para praticarem sexo com outros homens, mas eles o fizeram assim mesmo. Podemos então supor, sem receios, que Paulo estava se referindo a homens cuja orientação sexual não fosse homossexual, para quem tais práticas seriam naturais, mas para heterossexuais, para quem esse ato implicaria em grande esforço, mas que o teriam feito de qualquer maneira, como forma de adoração aos ídolos.
A Bíblia Anotada New Oxford diz a respeito dos versículos 27 e 28:
“Enquanto que a Torah proíbe um homem "deitar-se com outro homem como com uma mulher" (Lv 18,22), autoridades judaicas contemporâneas de Paulo criticavam uma variedade de comportamentos sexuais comuns no mundo pagão. Apesar de que hoje se emprega essa expressão largamente como uma referência à homossexualidade, a linguagem que refere-se às praticas contrárias à natureza era mais usada nos dias de Paulo, não para denotar a orientação da atração sexual, mas a tolerância e prazer exagerados, sem medidas (lascívia), que cria-se, enfraquecesse o corpo (a recompensa de seu erro)".
Concluímos o nosso estudo, por enquanto.
Quando nos confrontamos com coisas que não entendemos completamente é natural que fiquemos desconfiados e temerosos. Quando ouvimos pessoas expressando emoções de maneira completamente contrárias ao que sentimos, e talvez nós possamos fazer uma auto-análise e pensar “eu jamais poderia pensar desta maneira”. É normal que essa atitude provoque uma pausa para pensar, para refletir. É normal que busquemos questionar no mais íntimo de nosso ser “será que poderia pensar dessa mesma maneira?” Quando nosso pastor ou nossa pastora, ou líder espiritual, ou rabino, sobe em um púlpito e denuncia pensamentos, descreve emoções como pecaminosas, demoníacas, depravadas, doentes; quando um homem de Deus faz alusão à Bíblia como prova da pecaminosidade de alguém; bem, a quem recorrer? Como argumentar? A Bíblia diz isto, eu creio nisto e ponto final?
Quando é dito que a Bíblia aprova e autoriza a escravidão, poucos contestaram esta teoria durante séculos. Quando é dito que a mulher deve ser submissa ao homem porque está expresso na Bíblia, somente as mulheres expressaram objeção, mas quem as ouviu? Bem, na verdade em algumas partes do mundo, elas ainda não são ouvidas. Quando foi dito que feiticeiros devem ser executados, muitas mulheres foram mortas, aliás, muitas mulheres eram culpadas apenas pelo crime de serem idosas, ou sábias, ou por não serem simpáticas. Quem liga para isso? Quando foi dito que a Bíblia diz que homossexuais devem ser mortos, eles foram torturados, atados em postes e queimados. Através dos anos esses crimes foram todos impetrados em nome de Deus, como interpretados na Bíblia.
Vivemos no século 21, e a maioria das pessoas já não acredita que a Bíblia justifique a escravidão e promova a subserviência da mulher; e mulheres não são mais executadas por feitiçaria, ao menos nas nações ocidentais. E quanto aos homossexuais? Bem, na verdade homossexuais ainda são perseguidos e executados, assim como minorias raciais que ainda são perseguidas e executadas também. Todos culpados pelo pecado de serem diferentes.
Em púlpitos ao redor do mundo, muitos ministros de Deus, ainda descrevem homossexuais como maus, demoníacos, pecaminosos, depravados, doentes e loucos, e até fazem alusão à Bíblia como prova de “sua” pecaminosidade. Uma das duas passagens bíblicas mais citadas que são usadas como prova de que a Bíblia condena a homossexualidade é:
Romanos 1,26-27:
“Pelo que Deus os entregou à paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural no que é contrário à natureza; semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a devida recompensa do seu erro”.
O que se segue, nos versículos 28 a 32 é uma verdadeira lista de todas as formas de mal e depravação. Esses dois versículos acima, retirados de seu contexto, e seguidos dessa lista dos horrores, certamente causam a impressão de que Deus considera os homossexuais, e a homossexualidade particularmente como maléfica e depravada. É o que acontece quando alguém ignora o contexto da passagem acima descrita.
Se levarmos em consideração o contexto, encontraremos um quadro completamente diferente do que é aquilo que Deus realmente condena. Ao contextualizarmos, vamos perceber que a linha de raciocínio de Paulo inicia-se no versículo 18 e segue até o fim desse capítulo, como mostrado no início deste estudo.
Algumas coisas desagradam a Deus, é verdade, mas Deus está a irar-se com aqueles que:
• omitem a verdade de Deus,
• não honram, não glorificam, nem são gratos e reconhecidos a Deus,
• substituem a verdade de Deus pela mentira, e
• adoram e servem aos ídolos ao invés do Criador.
Em uma palavra: idólatras.
A ira de Deus está direcionada àqueles que praticam idolatria em todas as suas formas. Note que as três primeiras palavras do versículo 27, independentemente de que tradução se use, se refere a algo que acontece anteriormente “Pelo que…”; “por causa…”; “Por isso…”. Os versículos 26 e 27 não são versículos auto-suficientes. Eles explicam quem provoca a ira de Deus, e o que causa o seu comportamento anômalo. Idólatras provocam a ira de Deus, e o seu descontentamento ao adorarem os ídolos.
Onde anteriormente encontramos pessoas que se envolveram em práticas sexuais entre pessoas do mesmo sexo como expressão de adoração ritualística de ídolos? Nas condenações contidas em Levíticos e Deuteronômio. Na condenação expressa em relação à prostituição ritualística que acontecia nos templos destinados aos ídolos.
As três primeiras palavras do versículo 26 nos dizem que nas suas práticas idólatras as pessoas envolviam-se em relações degradantes. As mulheres mudaram suas relações naturais por outras contrárias à sua natureza. Apesar do que literalmente pode-se entender, essa passagem refere-se a mulheres que se envolveram em práticas sexuais com prostitutas do templo, essa passagem pode também ser um referência à pratica de bestialidade, que era também uma prática idólatra comum, naquela época. Assim como mulheres envolveram-se em relações bestiais como um ato de adoração aos ídolos, homens também se envolveram em relações com outros homens, como forma de adoração idólatra.
Gostaria, entretanto de chamar atenção para uma particularidade. O verbo “cometer” foi traduzido a partir da palavra composta: kat-err-gotzumai. Enquanto que Err-gotzumai significa trabalhando, desenvolvendo, implementando, isto é, é um verbo de ação, quando se acrescenta estas três letras, kat, antes, é dada uma ênfase ao caráter da palavra, significando que trata-se de um trabalho difícil de ser executado. O que Paulo nos diz, segundo algumas versões, é que um tremendo esforço foi colocado no sentido de se alcançar o trabalho que nos é expresso por essa palavra. Esses homens tiveram que fazer um grande esforço para praticarem sexo com outros homens, mas eles o fizeram assim mesmo. Podemos então supor, sem receios, que Paulo estava se referindo a homens cuja orientação sexual não fosse homossexual, para quem tais práticas seriam naturais, mas para heterossexuais, para quem esse ato implicaria em grande esforço, mas que o teriam feito de qualquer maneira, como forma de adoração aos ídolos.
A Bíblia Anotada New Oxford diz a respeito dos versículos 27 e 28:
“Enquanto que a Torah proíbe um homem "deitar-se com outro homem como com uma mulher" (Lv 18,22), autoridades judaicas contemporâneas de Paulo criticavam uma variedade de comportamentos sexuais comuns no mundo pagão. Apesar de que hoje se emprega essa expressão largamente como uma referência à homossexualidade, a linguagem que refere-se às praticas contrárias à natureza era mais usada nos dias de Paulo, não para denotar a orientação da atração sexual, mas a tolerância e prazer exagerados, sem medidas (lascívia), que cria-se, enfraquecesse o corpo (a recompensa de seu erro)".
Concluímos o nosso estudo, por enquanto.
Próximo estudo Romanos 1,26-27, (segunda parte).
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