segunda-feira, 16 de maio de 2011

I - HOMOSSEXUALIDADE E A BÍBLIA - Introdução

HOMOSSEXUALIDADE E A BÍBLIA


Introdução
Nestas páginas vamos tentar rever todas as passagens bíblicas relevantes que são conhecidas por supostamente condenar a homossexualidade. Nós tentaremos identificar as bases históricas da homofobia. Vamos dar uma rápida olhada nos problemas encontrados pelos pesquisadores ao interpretar o que os autores originais quiseram nos dizer a respeito de Deus e dos seus desígnios e desejos para as pessoas homossexuais. Começaremos por perguntar e responder algumas questões.
A Bíblia condena a homossexualidade? Se você cresceu na tradição judaico-cristã, é bastante provável que você tenha aprendido que a resposta para esta questão seja sim. Entretanto, nós vamos juntos explorar a Bíblia e descobrir que não só não há nenhum tipo de condenação à homossexualidade como é conhecida nos dias atuais, mas também iremos descobrir que a Bíblia contém muitas passagens que são afirmações positivas de amor, compaixão e heroísmo em relação aos homossexuais.
Como surgiu a idéia de condenação da homossexualidade? Philo de Alexandria, que foi um importante pesquisador do Judaísmo, e que viveu entre 20 AC ate 50 DC teve uma grande influência na interpretação bíblica. Em relação à sexualidade ele ensinou que uma das funções primárias de todo homem era a procriação e que toda e qualquer expressão sexual que não produzisse descendência legítima era “antinatural”. Em um contexto onde a violência de vizinhos contra vizinhos era muito comum e onde o tamanho de sua família (principalmente os filhos e suas famílias) garantiria proteção, onde a única segurança e amparo dispensados aos idosos dependeriam de seus filhos e netos, é extremamente fácil de perceber a importância de se ter uma abundante descendência.
Se a condenação à Homossexualidade é uma idéia da Antiguidade, porque muitas Igrejas ainda a ensinam hoje em dia? Tradição! Tradição foi definida como a homenagem que se presta aos mortos. Baseando seus ensinamentos nos ensinamentos de Philo e de outros, a Igreja tem mantido as suas portas fechadas aos homossexuais durante a maior parte dos últimos dois mil anos. Pior ainda: a história está repleta de relatos de atos lastimáveis e tortura perpetrados contra homossexuais, sem mencionar as execuções. Os pesquisadores heterossexuais não tiveram razão para pesquisar o que a Bíblia diz a respeito da homossexualidade e dos homossexuais. Caso pesquisadores homossexuais tivessem pesquisado este assunto, teriam certamente sido perseguidos e seriam eles mesmos vitima de perseguição e execução. Não se começou nenhuma pesquisa séria a este respeito antes do século XX.
É possível que alguém se pergunte se uma das razões pelas quais a Igreja Católica tem mantido sua postura tendenciosa, parcial e preconceituosa contra os homossexuais, ao longo dos séculos, seria para evitar ser rotulada como uma Igreja “homossexual”, uma vez que não é permitido aos padres e às freiras o casamento.
Quer dizer que a Igreja intencionalmente omitiu informações por que estas iam contra as tradições? Sim, os Pesquisadores têm até um nome para isto: Ciclo Hermenêutico. De uma maneira simplificada vejamos como funciona: Hermenêutica, em primeiro lugar, é a prática da interpretação bíblica. A interpretação de escrituras é sempre necessária porque nem tudo o que um escritor pensa ou experimenta pode ser interpretado literalmente ou no popular “ao pé da letra”. Além disto, palavras podem ter mais de um significado, e em caso de interpretação de escrituras em que foram utilizadas línguas da Antiguidade, dificuldades adicionais certamente surgem.
A Enciclopédia Bíblica Padronizada Internacional (Vol. 2, pp. 864) declara, "O Intérprete tem sempre que conjeturar sobre o significado de um determinado meio de comunicação que ele deseja dominar... deve tentar vários significados diferentes possíveis que determinadas palavras ou frases cruciais podem assumir... até que haja coerência entre estes termos crucias e a idéia geral do texto.." Este processo pode levar dias, semanas, meses ou mesmo anos, desde o seu início até a sua conclusão.. O Ciclo Hermenêutico ocorre quando... ”A mente do Intérprete está tão satisfeita e encantada com toda a ”evidência” e “coerência” que a sua própria interpretação consegue retirar do texto, que uma interpretação diferente do mesmo material facilmente desperta uma reação marcada pela ira e pela cólera, ainda que esta interpretação diferente também apresente “coerência” e muitas “evidências” que suportem tal interpretação.
Em outras palavras: Eu trabalhei muito para entender isto, para conceber esta idéia, e buscar evidências que a suportem. Se você tem uma interpretação diferente, eu não quero nem saber, não quer ouvi-la, dizem. Claro que os Pesquisadores resguardam-se quanto à esta prática lamentável, mas em se tratando de uma assunto tão “ameaçador”, tão intimidante e delicado como a homossexualidade, não é muito difícil de se perceber porque esse preconceito ainda persiste nos dias atuais.
Onde começamos? Antes que possamos iniciar um estudo detalhado sobre o que a Bíblia realmente diz ou não à respeito da Homossexualidade, temos que nos deparar com alguns pontos enfrentados por qualquer um que queira desenvolver qualquer tipo de pesquisa séria com base nas Escrituras. Temos que trazer a Bíblia para uma perspectiva mais próxima, tirá-la de dentro da redoma que alguns insistem em  colocá-la. Temos que nos debruçar sobre tópicos como “infalibilidade Bíblica”, “contextualização” e “inspiração divina”.
A Infalível Palavra das Escrituras
A infalível Palavra de Deus é uma expressão muitas vezes usada para descrever a Bíblia. Até alguns anos atrás havia um adesivo de pára-choque de carro que dizia: Deus disse isto, creia nisto e se vire com isto. Deplorável adesivo. Mas na verdade conhecer o que Deus disse e o que ele quer ou quis dizer com isto são duas histórias diferentes. Já que não temos os manuscritos originais, na verdade ninguém pode ter certeza absoluta do que realmente eles continham e então ninguém pode ter certeza absoluta do que Deus quis dizer. Para se Certificar disto, simplesmente vá a uma livraria e você vai encontrar várias versões da Bíblia, com diferentes traduções. Cada uma destas traduções é o resultado incansável de inúmeros Pesquisadores trabalhando por anos a fio, tentando determinar o que Deus realmente quis dizer. O que nós temos, na verdade, é a interpretação deles do que eles pensam que Deus realmente quis dizer.
Existem vários problemas inerentes à tentativa de se traduzir, com precisão, a Bíblia. Os manuscritos mais antigos que se conhece foram escritos em hebraico e no antigo caldeu. No hebraico antigo não se escreviam as vogais. Alguém teve que determinarem quais vogais estavam nas palavras, de acordo com o contexto do que estava escrito. Se você quer saber o quão difícil é perceber tudo o que está escrito sem o uso de vogais, tente simplesmente voltar dois parágrafos, retire as vogais, e veja se você pode entender perfeitamente o que está escrito. Vamos tentar com uma frase: Mn snr d s DSTN. Se você conseguiu ler: O Homem é Senhor de seu destino, você está de parabéns. Então você já está pronto para o próximo passo. Tome as Escrituras Hebraicas, também conhecidas como o Antigo Testamento, retire todas as vogais, e veja o que você consegue ler e entender. Use uma versão da Bíblia que não seja uma versão “na Linguagem de Hoje”, a qual já é por si mesma uma tradução um pouco distante do Português que falamos correntemente, o que já representa por si só um desafio ao entendimento perfeito.
Contextualização
A regra de ouro da Hermenêutica é que qualquer passagem bíblica deve ser vista e mantida dentro de seu próprio contexto. Durante algumas partes da pesquisa bíblica temos presenciado intérpretes pinçando idéias e conceitos similares de várias partes diferentes da Bíblia, e combinando-os pra que formem um pensamento ou visão mais completos e/ou complexos sobre um determinado assunto. Estas práticas têm um inestimável valor para se ter uma visão geral ou entender melhor um determinado aspecto de uma dada posição, entretanto, essa prática apresenta o risco de se combinar dois diferentes conceitos num só, ainda que similares, a fim de um suposto melhor entendimento ou para servir de sustentação de teses bíblicas.
Aqui tomamos como exemplo um notório exemplo de como se podem tirar passagens bíblicas de seu contexto: Mateus 27,5 “...retirou-se e foi se enforcar”. Lucas 10,37 nos fala que Jesus disse: “Vai, e faze da mesma maneira”. Na medida em que todos concordaram que a Bíblia em nenhum lugar encoraja a prática do suicídio, concordamos então com a importância de se manter as passagens dentro de seu próprio contexto.
Manter as Escrituras dentro de seu contexto significa também levar em consideração a época e a cultura das pessoas a quem o autor estava se dirigindo, especialmente em se tratando de práticas religiosas. Alem disto devemos também observar a cultura, a língua e a época da tradução em particular que estejamos examinando. Muitas pessoas crêem na tradução João Ferreira de Almeida, por exemplo, como sua fonte bíblica. Muitas pessoas até crêem que esta era a Bíblia que Jesus trazia consigo. É preciso que se entenda que muitas variações existem e que podem dar origem a interpretações as mais variadas possíveis.
Inspiração Divina
A maioria, se não a sua totalidade, dos seguidores da Bíblia irão prontamente concordar que a Bíblia é inspirada divinamente. O que isto quer dizer? Pode ser surpreendente para você descobrir que existem pelo menos duas linhas de pensamento sobre o significado desta expressão. A linha de inspiração verbal acredita que o Espírito Santo ditou cada palavra das Escrituras, e os autores atuaram meramente como secretários, ou como digitadores, usando um vocabulário mais atual. A linha de pensamento conhecida como inspiração plena acredita que o Espírito Santo imbuiu os autores com os conceitos a serem apresentados, mas os escritores usaram suas próprias palavras ao transpor os conceitos à forma escrita. É importante ressaltarmos que nem os melhores Pesquisadores conseguiram ainda encontrar uma posição clara sobre a participação (em termos de profundidade, de participação efetiva) do Espírito em todo o conteúdo das Escrituras.
Você pode estar se perguntando agora: Se isto é verdade, como eu posso saber se o Espírito Santo teve mesmo alguma participação nas Escrituras? Como eu posso saber o que é verdade e o que não é? Como eu posso saber que tudo o que está na Bíblia representa a vontade de Deus? Com todas estas questões você pode estar pensando que estamos sugerindo que você descarte a Bíblia. Nenhuma conclusão poderia estar mais distante da verdade. Você se pergunta se Deus não poderia prever que todos estes problemas poderiam surgir por ter escolhido esta maneira de transmitir a Sua Palavra? Bem, na verdade acreditamos que pretendia que a Bíblia fosse escrita da maneira que foi. Nós, seres humanos adoramos mistérios, não é mesmo? E a Bíblia nos oferece todos os mistérios, de todos os tempos. Entendemos também que Deus pretendia que não houvesse uma única interpretação das Escrituras. Cremos que Deus queria que houvesse espaço para várias diferentes interpretações, vários diferentes tipos de entendimento, muitas maneiras diferentes de se olhar as Escrituras, sempre guiadas pelo Espírito Santo. Da mesma forma que cremos que Deus nos aceita e ama a todos nós, com todas as nossas diferenças. Cremos que no coração de Deus exista espaço para todas as maneiras que possamos encontrar para nos trazer para mais próximos de Deus.
Sabemos que a Bíblia representa muita coisa para muitas pessoas, entretanto precisamos nos lembrar uma coisa: a Bíblia não é Deus! Não existem quatro pessoas na Trindade, apenas três. Cremos que muitas pessoas não conseguem perceber este fato.
Em linha com nossa definição de inspiração divina, vemos a Bíblia como um instrumento que o Espírito Santo usa para se comunicar diretamente e pessoalmente com cada um de nós, na medida em que permitimo-lo que o faça. Durante a Última Ceia, Jesus explicou aos seus discípulos sobre a vinda do Espírito Santo e disse: “Mas o Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar-se de tudo quanto vos tenho dito... mas quando vier o Espírito da Verdade, Ele vos guiará em toda a verdade.” (Jo 14,26; 16,13a). Para nós, divina inspiração é o que acontece quando abrimos nossas Bíblias para ler, e abrimos os nossos corações para sermos guiados pelo Espírito Santo para ser guiado “em toda a verdade” para a edificação de minha vida. Nós, cristãos, gostamos de falar que temos um relacionamento pessoal com Deus. Isso resulta num crescimento espiritual que observamos quando abrimos nosso coração ao Espírito Santo. Esse crescimento é a maior evidência dessa relação pessoal com Deus; essa inspiração divina.

Próximo estudo: Sodomo e Gomorra

2 comentários:

  1. se tambem um homen se deitar com outro homen, como se fose mulher, ambos praticaram coisa abominavel...
    levitico 20;13

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  2. Se vc ler esse texto aqui, rike, vc saberia que existe uma outra interpretação sobre essa passagem. Não se pode interpretar literalmente o que tá la

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